Dos limites


Já andava para fazer este post há bastante tempo. Há pessoas que não conhecem muitos limites. Isto é, os únicos limites que verdadeiramente conhecem são os limites legais, impostos pela sociedade. Limites em relação às pessoas, aos outros, conhecem pouquíssimos. Estas pessoas são do tipo de pessoas que ligam aos outros e dizem para se encontrarem na sexta (ou noutro dia qualquer) ao meio-dia. Perguntar-nos se nos dá jeito, ou se preferimos noutra altura, é algo que não lhes ocorre. Nem lhes passa sequer na cabeça. São do tipo de pessoas que quando estamos ocupados e a tentar concentrarmo-nos, quando precisamos imenso de silêncio, se metem perto de nós a falar, a falar, a falar. Se lhes dizemos educadamente e já com muita sensibilidade à mistura para não nos interpretarem mal que naquele momento não nos convém muito conversar, estas pessoas continuam. Continuam a falar para cima de nós e não para nós. Porque não lhes interessa com quem estão a falar, mas sim o facto de estarem a falar com alguém. São o tipo de pessoas que em vez de nos oferecerem o que gostamos, nos oferecem o que elas próprias gostam e acham que vamos adorar. São o tipo de pessoas que aparecem na casa dos outros  com quem não têm grande confiança e sem serem convidadas. São o tipo de pessoas que não são capazes de guardar conversas só para si. Têm de as ir contar a pelo menos mais dez pessoas. São o tipo de pessoas que nos pedem satisfações, como se de facto mandassem alguma coisa na nossa vida. São o tipo de pessoas que amuam porque não lhes damos muita atenção. São o tipo de pessoas que fazem planos contando que os outros vão concordar. E eu nunca lidei bem com esse tipo de pessoas. São precisamente o tipo de pessoas que eu não afasto, mas que com o tempo se apercebem de que eu já estou a vários quilómetros de distância delas.


O post saiu hoje, porque hoje decidiram ligar-me às sete da manhã a dizer-me  (não a perguntar, a dizer mesmo) que nos encontrávamos às oito horas da manhã, para irmos a sítio tal. Eu só consegui articular um: a mim apetece-me estar de manhã hoje em casa e de qualquer modo já tenho planos para o meu dia inteiro. 

E fim de história.

5 comentários:

Olívia Palito disse...

É o que chamo de pessoas inconvenientes. :)

mari disse...

mas que grande lata, excelente resposta*

anouska disse...

Mt bom! O texto e a resposta à situação!
Essas situações acontecem qd menos esperamos e são sempre aborrecidas. São pessoas que acham que tudo lhes é devido.:)

Guinhas disse...

Eu acho q são pessoas com pouca vida própria e, obviamente, inconvenientes. Então tentam gerir a sua vida e ocupa-la, "à custa" dos outros...

Joana disse...

Eu concordo com tudo o que tu dizes, alias se há coisa que não gosto é a pressão exercida pelas várias pessoas.
Mas uma coisa é certa, ás vezes ficamos um pouco egoistas, por vezes quando estamos "entretidas" da vida, esquecemo-nos de quem outrora nos alegrava ao partilhar/convidar para as mais variadas coisas.
Vejo muita gente como as que falas, mas também tenho visto por ai gente muito ingrata, gente que quando sozinha, encaravam de boa vontade muitas dessas coisas.

Beijinhosss