Da parte do coração que não nos pertence


De repente chegamos a um dia das nossas vidas em que uma parte do nosso coração já não nos pertence. Nós andamos a carregar essa parte dentro de nós, porque não a podemos (nem queremos) separar do restante coração, mas a verdade é que deixa de nos pertencer. Pode ser uma pequena ou uma grande parte, consoante o que permitimos. Mas essa parte, que antes era nossa, passa a pertencer a outra pessoa, a outro ser vivo.
O que significa que deixamos de ter controlo sobre essa parte do nosso coração. Significa que se alguma coisa má afectar o detentor dessa parte do nosso coração, isso automaticamente afecta-nos o coração. Ficamos com o coração pequeno, tão pequeno. E não podemos fazer nada. Porque aquela parte não nos pertence.
Isto é mais ou menos o que acontece quando alguém perde irremediavelmente outra pessoa. Essa parte do coração morre também.
Isto é mais ou menos o que acontece quando uma mãe ou um pai vêem um filho numa cama de hospital. Essa parte do coração fica demasiado apertada e bate desenfreadamente, movida pelo medo.
Isto é mais ou menos o que acontece quando alguém entrega uma parte do seu coração a um animal de estimação e ele adoece. E o imagina sozinho numa Clínica. Essa parte do coração fica a chorar, por dentro, porque só algumas pessoas sabem como é possível amar perdidamente um animal.
Isto é mais ou menos o que acontece quando nos zangamos com alguém e finalmente chega a despedida. Essa parte do nosso coração fica vazia e não há nada que consigamos fazer para a recuperar e pôr a funcionar novamente. Paciência, dizemos nós, temos mais espaço no coração. Mais partes. E assim prosseguimos.
Isto é mais ou menos o que acontece a toda e qualquer pessoa que entregue uma parte do seu coração. Pode trazer dissabores, tristezas, pesos insuportáveis, mas pode alojar lá milhões de sentimentos, de momentos, memórias e alegrias.

(Sou capaz de me tornar fã desta técnica de agendar posts)

7 comentários:

cereja disse...

É verdade que nos traz dissabores, porque traz, inúmeras vezes, mas se formos a ver a quantidade de sabores diferentes que tamnbém nos oferece... pensamos e vemos que vale a pena, não é?

Margarida disse...

Adorei :)

Nokas disse...

Lindo!

bécas disse...

Por isso, e depois de tantos «dissabores», não seria mais fácil não entregarmos essa parte do nosso coração?
(Provavelmente sim, mas é quase impossível, não é? (: )

Manuela disse...

Miss Daisy, lindo este teu post. Todos nós temos realmente uma parte do coração que nos deixa de pertencer... ou muitas partes mais pequeninas... gostei muito.
Beijinhos e obrigada por partilhares :)

Verita disse...

Adorei o texto e identifiquei-me com ele! Obrigada pela partilha ;)

PS: Eu já sou fã do agendamento de post's.

Rita disse...

Este texto está poderosissimo. Adorei.