Um dos melhores poemas de sempre #1


« Não digas que o trabalho é desperdiçado,
Nem que o esforço falha [...]

Pois não é em vão que em golpes seguidos,
Com pressa medida, em fragor crescente,
O mar actua nos rochedos batidos
E invade a praia, ruidosamente.

Mas ele bate e bate com força
Em dias, semanas, em meses e anos,
Até que apareça mossa sobre mossa
Que mostre seus gastos, pacientes ganhos.

E os anos passam, as gerações vão,
E menores se quedam as rochas cavadas;
Mas ele, com lenta e firme precisão,
Baterá na terra suas altas vagas.

[...]

Seu poder imenso ainda mantém
E, inda mais além, nas águas avança.

Alexander Search [F. Pessoa] in Poesia

Cada vez gosto mais destas revistas


Para além do lugar/país em destaque que anunciam sempre, têm igualmente detalhes e coisas interessantíssimas sobre vários outros lugares. Adoro.

Se há coisa que sempre me irritou profundamente


É a maneira quase obsessiva como os Telejornais tratam de determinados assuntos mais chocantes ou falados. Todos eles, um por um, alguns com mais incidência que outros, pegam num assunto (exemplo: Pessoa de cinquenta anos ao chegar ao carro, num parque de estacionamento, encontra um esquilo morto no tejadilho) e vão, durante dias e semanas, procurar numa busca interminável, todas as pessoas no país, depois na Europa e depois no resto do mundo, que, ao chegarem ao carro no estacionamento, encontraram um esquilo morto no tejadilho. Ao fim de três dias, já temos a notícia de um homem que, em Berlim, não encontrou um esquilo, mas um pássaro morto. Uma mulher que, na China, encontrou simplesmente um pássaro vivo no tejadilho. Ao fim de uma semana, temos cerca de dez casos mundiais. Se lhes der assim forte e feio, ainda chegam a fazer uma resportagem sobre isso.

Ontem, quando fui nadar


Nunca tinha visto tanto idoso junto, num espaço tão pequeno. Parecia uma excursão. No balneário, a pessoa mais nova, a seguir a mim, deveria ter à volta de sessenta anos. Quando eu tiver sessenta anos, também quero ainda ir ao ginásio e nadar. Mas sozinha, de preferência sozinha.

...

Para quem adora Ciência, como eu


Devia de ir espreitar isto, no site da BBC. É um dos meus sites preferidos e hoje encontrei lá isto (jogos interactivos sobre o corpo humano, entre outras coisas. Giríssimo).

Sou paciente e depois desta, não restam dúvidas


Sabem quando estamos à espera de um email importante e, de repente, a nossa caixa de email, que normalmente recebe dois, três, quatro (no máximo) emails por dia, decide receber, assim sem mais nem menos, durante duas semanas (DUAS SEMANAS) cerca de dez, onze, doze, treze, não sei quantos emails por dia. Se o meu coração resistiu sem ter nenhuma paragem, se conseguiu aguentar-se bem a tremer sempre que via um número tão elevado de emails e se punha a correr os remetentes dos emails e percebia que não tinham nada a ver com o que eu estava à espera, então tenho aqui um coração resistente. Ai tenho. Até de uma colega minha com quem já não falo há dois anos, recebi vários emails (uns quinze, só para terem noção), daqueles de correntes, de apresentações compridas de powerpoint, emails de alerta sobre os assaltos na rua da esquina, dos perigos do sol, dos perigos de conduzir, dos perigos de viver, resumidamente. Não sei, acho que Deus decidiu fazer uma pequena brincadeira comigo. Pensou assim: deixa cá ver se esta gosta de adrenalina. Resultou. Eu caí. Andei a respirar fundo várias vezes. Há bocado recebi o email tão esperado. Pronto. Já posso parar de verificar a caixa de email mil vezes por dia.

Perdi um pouco (muito, para dizer a verdade) de esperança no Mundo


Quando vi um artigo de Jornal escrito por um ex-colega meu de Faculdade. Por muito bem que ele apareça no artigo (e nem aparece assim tão bem) ou por mais anos que passem desde que partilhámos as mesmas salas de aula, não consigo esquecer o facto de vários terem sido os Professores que o apelidavam de preguiçoso, de pouco ou nada esforçado, de pretensioso e de fraco, academicamente fraco. Afinal de contas, este fraco e nada exímio aluno (no entanto, exímio na arte de dar graxa a Professores e a fazer-se incluir no grupo deles, como amigo próximo) escreveu um artigo de Jornal. Só me vem à memória o meu outro colega com um penteado ondulado e óculos finos, esse sim, inteligentíssimo, e que mais não alcançou do que alguma genialidade, no Conservatório. Ou do meu colega que ostentava orgulhosamente um laço a rodear-lhe os colarinhos sempre: o melhor crítico literário que alguma vez conheci. Também ele brilhante e esquecido, como já é habitual acontecer com as pessoas realmente boas, neste país. Sempre que falamos (felizmente a nossa grande amizade prolongou-se durante todos estes anos) sinto-me sempre um tanto ou quanto desgostosa, pela forma como a vida e a sociedade o tratou. Mas este, este que apareceu no artigo, está bem. Viaja, pouco ou nada faz e continua a considerar-se o próximo vencedor do prémio Nobel, seguramente.

De repente, li naquele artigo um nome que não pertencia ali. E soou-me mal. Pareceu-me abstracto. E ilógico. Fez-me uma confusão tremenda, o que só poderia acabar numa coisa: não li mais de dois parágrafos do artigo. 
Como se não bastasse, ele diz-se muito cansado de trabalhar, da vida dele e queixa-se de como o maçam as coisas do trabalho dele, que é uma maçada, já se sabe. Eu dei-lhe um conselho, não sei se foi aceite: disse-lhe para, assim sendo, ele oferecer o tacho dele a outra pessoa.