Há pessoas que pura e simplesmente...


Não deviam poder voltar a aparecer na nossa vida, nem qualquer lembrança delas deveria poder ficar connosco. Deveria ser tudo tão simplificado quanto uma relação (seja ela de que tipo fôr) chegar ao fim e ambas as partes seguirem caminhos tão opostos quanto fosse possível. Deveríamos poder continuar a nossa vida sem sermos diariamente relembrados do que ficou lá atrás (mas que afinal não tão lá atrás assim). Seria assim possível no dia seguinte acordamos sem qualquer memória que nos suscitasse tristeza ou mágoa (e muito menos as terríveis e inconvenientes saudades) faríamos várias coisas que nos deixariam felizes e, passados meses, aquela pessoa, com sorte, estaria numa vida completamente oposta à nossa. Quando a víssemos ser-nos-ia completamente indiferente. Seria como vermos uma pessoa completamente desconhecida e jamais sabermos o que quer fosse sobre a sua vida. Mas não. Lembramo-nos. Se por um lado e com algumas pessoas maravilhosas e especiais que perdemos, as memórias são do melhor que existe (Deus me livre de perder as memórias que tenho de quem amei e morreu ou das pessoas que são tão importantes mas que por um motivo ou outro têm de viver longe de nós) por outro, ter memórias de pessoas que nos deixaram completamente destroçados por dentro (e que nunca o chegaram a saber, porque fazemos questão de dar uma imagem ao mundo inteiro de uma indiferença que nos vai manter à tona e sem derramar uma lágrima que seja) aí, nestes casos, temos duas hipóteses: ou aprendemos a viver com as memórias da pessoa (e até mesmo com a pessoa, se ela nos aparecer à frente vinte vezes por mês) ou passamos a encontrar tudo o que de negativo podemos encontrar na pessoa.
Quando adoramos alguém procuramos tudo o que de bom a pessoa tem. "É uma pessoa maravilhosa, sabe imenso, tem bom gosto, vai a sítios lindos, e isto e aquilo e, e, e!"
Aqui é um bocadinho assim, mas no sentido inverso...
Fazemos um check mental de tudo o que de mau existe na pessoa, para não sentirmos saudades, nem mágoa, nem tristeza. Eventualmente, vermos tudo o que de negativo tem, vai levar-nos a um estágio de indiferença ou até, e aí é a loucura, vai levar-nos a pensar que perder aquela pessoa foi uma benção dos céus.
Eu ando a acabar a minha lista de checks, a por certinhos de "check" em tudo o que de negativo encontro. Está a dar bons resultados.

Com o calor

Chegaram as minhas sandálias de um cor-de-rosa lindo, da Zara. Já não se aguentam sapatos muito quentes nem muito fechados, chegando mesmo a ser um sufoco. Desde que tenho estas sandálias que ando com elas para todo o lado, até porque são confortáveis e leves. Mas do que eu gosto mesmo mesmo nelas, é da cor. Lembra-me o Verão, o calor, as esplanadas e a alegria.

Sweet

The 5 fingers' teory

Estão a ver a torre altíssima que se destaca na imagem?


Sim? Chama-se El Desafio. Está no parque espanhol Isla Mágica. Tem apenas (o que é isso afinal de contas?) 68 metros de queda livre. Nada de especial. E tem uma vista linda. Também existe por lá a Anaconda, por água, com quedas até 17 metros. E o Igazú, de barco, com uma velocidade de 50km/h e uma queda de 15 metros. Pois ééééééé... De cada vez que me lembro que andei nisso tudo levo as mãos à cabeça.

Inevitáveis constatações


Estive com uma amiga a lembrar-me de um baile que tive nos tempos de Liceu (único evento mais social dos tempos da escola a que fui, um milagre autêntico) e veio-me à memória aquela sala enorme bem decorada, com um fotógrafo para deixar comprovativos do acontecimento e tudo. Eram várias mesas redondas, cada uma com cerca de quatro ou cinco pessoas.
Lembro-me perfeitamente que todo o salão se divida entre duas mesas com as raparigas que na altura já se consideravam muito adultas, levando orgulhosamente para o baile os respectivos namorados (namorados esses que passado um mês, um ano, num dos casos, três dias, deixaram de o ser, mas detalhes à parte) e as mesas de solteiros, que eram todas as restantes. Eu estava numa dessas mesas, infelizmente rodeada por dois dos rapazes que já me tinham pedido em namoro mais do que uma vez. Resultou isto numa noite em que ambos passaram o tempo a ver-me comer (que coisa mais aborrecida e constrangedora) e a perguntar se queria dançar.
Acabei a dançar com o irmão pequeno de uma das minhas amigas, só para não aturar conversas sem ponta por onde se lhe pegasse. Noto agora que os solteiros da altura, rapazes, continuam hoje em dia solteiros (embora certamente tenham tido as suas relações). E noto que as raparigas que já na altura contavam pelos dedos de uma mão os namorados, hoje em dia continuam exactamente iguais, mas já contam os namorados com as duas mãos e se calhar um ou ambos os pés.
Percebi também que passei tempo demais a arranjar-me para aquela noite extremamente aborrecida, onde as únicas conversas decentes e interessantes vinham de um rapaz que era o cúmulo dos cúmulos da timidez, levando-me sempre a crer na altura que em adulto se tornaria eremita. Não é eremita, mas para lá caminha. O facebook dele tem como imagem de perfil um eremita, o que comprova a minha douta opinião da época. Notei também que um dos meus colegas que na altura era viciado em futebol, tem hoje em dia (bolas, há mesmo homens feitos que ainda fazem isto?) como foto de perfil o clube preferido de futebol. Notei também que as raparigas dos namoricos são as que hoje em dia actualizam os perfis do facebook dez vezes ao dia e que têm pelo menos cinco álbuns de fotos.

É ela (Lady Gaga) e a Rihanna


Lançam videoclips como quem toma o pequeno-almoço. E não sei como nem porquê, ambas alcançam sempre o sucesso com eles. Ouvem-se as músicas delas por todo o lado. As da Lady Gaga nunca compreendi bem porquê (são todas parecidas e com os mesmos ritmos, não vejo ali nada por aí além) as da Rihanna são todas no mesmo estilo, embora eu não desgoste de muitas delas.  

No seu longínquo reino cor-de-rosa, todas as crianças merecem poder ser crianças



« Do seu longínquo reino cor-de-rosa,
Voando pela noite silenciosa,
A fada das crianças vem, luzindo.
Papoulas a coroam, e, cobrindo
Seu corpo todo, a tornam misteriosa.

À criança que dorme chega leve,
E, pondo-lhe na fronte a mão de neve,
Os seus cabelos de ouro acaricia –
E sonhos lindos, como ninguém teve,
A sentir a criança principia.

E todos os brinquedos se transformam
Em coisas vivas, e um cortejo formam:
Cavalos e soldados e bonecas,
Ursos e pretos, que vêm, vão e tornam,
E palhaços que tocam em rabecas…


 

E há figuras pequenas e engraçadas
Que brincam e dão saltos e passadas…
Mas vem o dia, e, leve e graciosa,
Pé ante pé, volta a melhor das fadas
Ao seu longínquo reino cor-de-rosa. »

Fernando Pessoa

Num dia como este, em que se assinalam os direitos das crianças, o dia delas, de todas as crianças do Mundo (e serão tantas que dará certamente uma conta difícil de se fazer com um resultado certo) acho que as crianças que existem por aí que têm de lutar pelos seus direitos merecem especial destaque hoje. Não que as restantes não mereçam, porque merecem, mas as crianças que não possuem os seus direitos, não estão a ser, no fundo, crianças.

Todas essas crianças abandonadas, negligenciadas, maltratadas, abusadas, deixadas a morrer à fome, ao calor, ao frio... Mortas, torturadas, perseguidas, vendidas... Todas elas, se pudessem pedir alguma coisa para o dia de hoje, pediriam certamente para experimentar por um dia, vinte e quatro horas apenas, o que é ter uma vida normal. Um dia, nos milhares de dias que todos nós temos e vivemos, desperdiçados muitas vezes... Um dia... Para sentirem qual é a sensação de paz, de carinho, de segurança, de amor. São estas crianças que nunca tiveram um dia de todas essas coisas boas. Tenho a certeza que nenhuma delas pediria algo mais. E, para elas, isto já seria pedir o mundo.

Um dia, nos  aproximadamente 1600 dias que uma criança de 4 anos, por exemplo, já terá vivido.

Um dia, nos 2340 dias que uma criança de 6 anos já terá vivido.

Um dia, nos 3000 dias que uma criança de 8 anos já terá vivido.

Um dia, nos 4500 dias que uma criança de 12 anos já terá vivido.

E, até chegarem aos 18 anos de idade, 1 dia, nos 6700 dias que já terão vivido.

Dá que pensar, não dá?